quinta-feira, 10 de abril de 2008

Incompetência

Odone

O presidente Paulo Odone anunciou após a desclassificação do Grêmio na Copa do Brasil que irá dar folga para todo o futebol do clube até a próxima segunda-feira. Neste período, a direção irá estudar as medidas que serão tomadas para redefinir o Departamento de Futebol e iniciar a preparação para o Campeonato Brasileiro. Odone não revelou se Celso Roth será mantido no cargo ou será demitido.
“Não vamos tomar nenhuma decisão em cima do resultado dessa noite. O Futebol vai ser liberado até segunda-feira e, em 48 horas ou neste espaço de tempo, iremos reexaminar o que foi feito. Definir o que vamos fazer para que a gente possa ter a garantia de um Campeonato Brasileiro ao nível do que o torcedor do Grêmio merece e quer”, afirmou Odone.

Jogadores lamentam resultado

Os jogadores do Grêmio deixaram o gramado do estádio Olímpico bastante abatidos com a desclassificação na Copa do Brasil para o Atlético-Go. Vários atletas preferiram não falar nada sobre a derrota nos pênaltis. Aqueles que falaram, lamentaram o resultado e a desclassificação.
“Lutamos e brigamos durante o jogo. Mas futebol é isso aí. O torcedor veio aqui e nos apoiou. Essa é a força do Grêmio”, afirmou Roger.

Eduardo Costa também lamentou a derrota nos pênaltis e projetou o futuro da equipe no segundo semestre.
“Perdemos nos pênaltis e agora temos que ter força. Temos o Campeonato Brasileiro e a Sul-Americana pela frente. Essa alegria que não pudemos dar para a nossa torcida no primeiro semestre, nós vamos trabalhar para dar no segundo”, revelou Eduardo Costa
O volante William Magrão, chorando, lembrou que o elenco gremista trabalhou duro nestes quatro meses e não merecia ser desclassificado das duas competições que disputou em 2008.
“É complicado. Nosso grupo não merecia isso, mas futebol é isso”, declarou Magrão.

Confusão no final do jogo

Um grupo de torcedores revoltados com a eliminação do Grêmio, pelo Atlético-Go, na Copa do Brasil protestou de forma violenta na entrada do vestiário da equipe profissional no estádio Olímpico. Após gritarem palavras contra a direção, em especial o assessor de futebol, Paulo Pelaipe, e contra o Celso Roth, alguns mais exaltados arremessaram latões de lixos contra os seguranças. Um deles ficou ferido no rosto depois que um destes objetivos o atingiu.
A Brigada Militar foi chamada e fez uma varredura do pátio interno do estádio Olímpico. Para dispersar o grupo, os policiais atiraram com balas de borracha e bombas de efeito moral. No momento da fuga, houve correria e alguns torcedores acabaram sofrendo ferimentos leves.

Odone tem dificuldade para substituir Pelaipe

O presidente do Grêmio, Paulo Odone, concedeu uma longa entrevista após a eliminação do Grêmio na Copa do Brasil para o Atlético-Go, no início da madrugada desta quinta-feira. Entre diversos assuntos tratados: como a permanência de Celso Roth no comando técnico da equipe, as finanças do clube, o projeto arena, a necessidade de vender um jogador na janela européia para manter a saúde econômica do clube e a reestruturação do futebol do clube, Odone admitiu a dificuldade que encontrou nos últimos anos para encontrar profissionais ou conselheiros que tenham condições de assumir o Departamento de Futebol do clube. Confira os principais trechos da entrevista:
O futuro
“O Grêmio tem que fazer a sua autocrítica. Ver onde é que se errou. O que não conseguimos e, principalmente, o que precisamos fazer no futuro. Isso é o que não podemos fazer depois de uma derrota no Gauchão e nem essa aqui. Isso vai ser feito com a tranqüilidade nos próximos dias. Enquanto isso, até lá, o Departamento de Futebol vai entrar em recesso. O nosso técnico, na primeira partida no Campeonato Brasileiro é daqui a 31 dias, então vamos deixar os próximos dias um tempo para trabalhar juntos para fazer a reflexão, reexaminar todo o trabalho do futebol e poder começar a tomar as medidas de reformulação do que se fez até aqui”

Comparação entre os trabalhos de Celso Roth e Vagner Mancini
“Não vou comparar os dois treinadores. A minha convicção (para demitir o Vagner Mancini) foi em cima do perfil e da compreensão do tipo de futebol que o Grêmio pode e deve jogar. Para o meu gosto, a dedicação do time em campo neste jogo de hoje, apesar de não ter conseguido o resultado, já é bem mais próximo daquilo que a gente sempre quis como o perfil do Grêmio e tem sido neste três anos, mesmo jogando feio. Não vou comparar os dois profissionais. São dois bons profissionais. Achei que o Celso estava muito mais próximo da nossa realidade. Agora, o resultado de campo foi ruim. Fracassamos. Essa é a realidade. Não adianta esconder isso porque precisamos do resultado. Futebol é perverso, vive disso. Você precisa ter os resultados positivos, afinal, a gente joga com a paixão de 10 milhões de torcedores. Agora, o presidente do clube e a direção, se é consciente, tem reconhecer e eu assumo a responsabilidade pela frustração e pela derrota. Agora, tenho a obrigação de ser muito frio para não errar de novo”.

A difuldade para encontrar pessoas com o perfil ideal para assumir o Departamento de Futebol
“Essa é a maior dificuldade no futebol. Basta olhar o trabalho que o Pelaipe faz no clube. Ele passa 24 horas no clube e que chega a desgaste como esse. De ter que ouvir o que esta ouvindo em coro aqui. Hoje a coisa mais difícil é você ter hoje um diretor de futebol político, espontâneo ou não-profissional. Essa é a nossa maior dificuldade. Tentamos até obedecer um comando político do clube que reformou os estatutos para ter uma gestão profissionalizada, com executivos, inclusive do futebol. Tivemos a experiência do Mário Sérgio e não foi boa. Até porque a cultura nossa e da mídia não aceita isso."

"Você querem o dirigente político, cartola, vocês querem saber de mim, saber do diretor de futebol e hoje está cada vez mais difícil achar um nome para assumir o futebol do tamanho do Grêmio. Porque ele suga a pessoa que trabalha nesse cargo. Isso é um moedor de carne. Quem passou pelo futebol ou pela presidência do Grêmio, sabe disso. Como a gente tem o emocional, as pessoas acabam sendo coagidas a terem que assumir. Então, essa questão é a mais delicada de um clube como o nosso. Você achar um diretor de futebol de dedicar o seu tempo para entrar no clube”.

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