quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Grêmio nos últimos três anos

Foram dois anos e sete meses de Olímpico, quase três temporadas inteiras de conquistas inesperadas em um clube que parecia sem perspectivas. Nesta quarta-feira, Mano Menezes anunciou que está mesmo dando adeus ao Grêmio. É o encerramento de um ciclo cheio de reviravoltas, de lances inesperados, de mais alegria do que tristeza para os torcedores. Termina uma era que começou na Segundona e chegou a uma final de Libertadores. Mano Menezes disputou dois Estaduais, ambos conquistados, uma Copa do Brasil perdida, uma Segundona vencida na heróica Batalha dos Aflitos, dois Brasileirões (o do ano passado em terceiro, o desta temporada ainda em andamento) e uma Libertadores com classificação para a final. A trajetória do treinador no Olímpico pode ser sintetizada em cinco atos marcantes.

Batalha dos Aflitos Foram dois pênaltis evitados, quatro jogadores expulsos e, mesmo assim, vitória. Mano Menezes é figura fundamental na histórica Batalha dos Aflitos, que eternizou o retorno tricolor à Série A. No auge da confusão em Recife, quando dirigentes pensavam em literalmente tirar o time de campo, Mano manteve a calma e ordenou a seus atletas que jogassem bola. O resto da história todo mundo conhece. Em 71 segundos, pênalti defendido por Galatto, gol de Anderson e uma euforia nunca vista entre os tricolores. E de pensar que meses antes, quando o Grêmio levou 4 a 0 da Anapolina, Mano não caiu por detalhe...

Gauchão de 2006
Em um golpe de mestre, Mano Menezes fez do Grêmio campeão gaúcho contra um Inter que nos meses seguintes conquistaria a América e o mundo. No primeiro Gre-Nal decisivo, ele escalou o lateral-direito Alessandro como meia. Os jogadores colorados não sabiam o que fazer. Alguns foram até a beirada do gramado pedir orientações a Abel Braga. O empate sem gols deixou o Tricolor vivo para o jogo da volta, no Beira-Rio. E aí Mano inverteu tudo: colocou Wellington, um lateral-esquerdo, como meia. Nova igualdade, esta por 1 a 1, deu o título ao Grêmio.

Brasileirão de 2006 Com um grupo limitado, mas inflamado pela conquista estadual, o Grêmio partiu com tudo para o Brasileirão. Era o retorno tricolor à elite. E o resultado foi uma campanha impecável, encerrada com o terceiro lugar e a classificação para a Libertadores da América. Mano consolidava-se como treinador de ponta no futebol brasileiro.

Gauchão de 2007 Novo Estadual, novo título para Mano. E com a clássica dramaticidade tricolor. Nas semifinais, derrota de 3 a 0 para o Caxias no jogo de ida. O Grêmio parecia morto. Só parecia. Na volta, goleada de 4 a 0 e vaga na final, contra o Juventude. Aí foi fácil, fácil. Mano era bicampeão gaúcho com o Grêmio.
Libertadores de 2007 Bicampeão estadual, forte nos pontos corridos, competente no formulismo da Libertadores. O Grêmio contrariou todas as probabilidades para ser vice-campeão da América em 2007. Perdeu quase todos os jogos fora, mas contou com um Olímpico sempre lotado para alcançar a decisão contra o Boca Juniors. O título não veio, mas ficou a satisfação de uma campanha que surpreendeu até o mais otimista dos tricolores.

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